os outros e tu como anti-outro

E se vais lendo o que se vai dizendo, acertas num sítio que não esperavas. Não há alguém que guarde um gesto sincero, humano, sobre o outro que não conhece e que nunca o viu mais gordo? E fica certo, mais certo ainda com a idade que vais carregando, que não há nada que faças que não seja estúpido, palerma ou “farias melhor outra coisa qualquer”. Isso. Mesmo isso, mesmo que a tua intenção seja a suprema e sincera, por mais bem intencionado que sejas ou estejas.

Vem sempre o ou a que diz “esse filho da puta quer é tacho, protagonismo ou está metido numa tramóia qualquer, enganando uns e outros, tem é mania, ou melhor seria ficar quieto, para que quer ele fazer isso?” E vai ficando mais apertado quando isso se esconde em todas as conversas que não ouves. E se fizeres delas suposição, pior para ti, arremessaste para um sofá de onde só sais quando o corpo dorido se mandar para a cama.

Neste e noutro tempo, a inveja é o agoiro, a má língua é tão antiga que suporta até o desprezo, o escárnio e o mal dizer. E tu também o fazes, quando fazes de outro.

Ai, ai, vem de tão longe que serve de suporte ao desprezo pelo outro, e se bem vindo pela política vai dar em merda da valente. Não é que o anti-outro não exista,, desapareça, ou se vá de vez. Vai daí, segues essa mesma conclusão, o ser humano dança conforme a música política do momento, aqui é um ali, e tu és o outro, o que torna difícil de julgar quem quer que seja. Melhor, melhor é ouvires o que dizes, fazeres o que dizes e responderes ao que perguntas, o resto são as vozes ruído que não fazem de ti nem homem nem mulher, antes te fazem um desumano carunchoso e bafiento.

Deixar uma gargalhada no mundo

Há quem faça da vida a bem querença de deixar um sorriso no mundo, um tempo em que a gargalhada e a festança, em que o outro é rei e a alegria rainha, e pelo menos existem nesse tempo de pouco mais do que hora e meia de felicidade. Pelo menos isso. Quando tudo o resto é guerra e desprezo há um, este, que nos deixa uns minuto ternos, humanos.

Slava’s show http://slavasnowshow.com/en/who-is-slava/

Mário Soares

Humanista, homem de liberdade e cultura.

John Berger

morreu. não li. não vi. nem assisti a nada da sua criação. se foi dedicado à arte e à cultura, com uma opinião sobre as coisas, valerá a pena ler. mas não se pode ler tudo nem estar em todo o lado. alguém o viu, o leu e o estudou, às palavras, às imagens e às artes. e se fala claro, é porque pensou muito. refletiu. e disso há pouco, muito pouco. tempo para estar sem nada que fazer a não ser pensar. por isso confio no julgamento de quem o conheceu. será pois importante. pode até nos ter influenciado sem o sabermos. morremos todos. uns ganham umas linhas nos jornais. outros no coração de alguém. outros só desprezo. e outros é com se não estivessem estado. despreza-se aqueles que causaram sofrimento deliberado. filhos da puta.

Anúncio da morte: https://www.publico.pt/2017/01/02/culturaipsilon/noticia/morreu-john-berger-um-artista-total-1756862

Entrevista: https://www.theguardian.com/books/2016/oct/30/john-berger-at-90-interview-storyteller

 

nada mais havendo a tratar…

…damos por encerrado o ano que passa 2016, bem vindo 2017, seja o que for que venha pouco significado tem para além de ser um calendário tão ocidental e rodeado do tempo que tu fazes, sem significado universal portanto, o melhor é escreveres a ata, como sabes outros irão fazê-lo nos séculos que por ai vêm, se ainda andar por aqui a tua espécie.

Jazzin – antena 2

Faz bem ouvir bom. E aqui é mesmo isso.

http://www.rtp.pt/play/direto/antena2jazzin