Incluidos

Vivemos uma ilusão de cada vez. Esta ou aquela ilusão. Pouco importa, desde que nos faça incluídos. Que nos faça sentir parte, porque somos sociais. Ao mesmo tempo essa ilusão parece ser só nossa, somos especiais. Vem a vida a dentro e descobrimos que o que fazemos ou pensamos não é assim tão especial. Já outros o pensaram, ou pensam e já o fizeram ou fazem.

A razão mais forte vem da sobrevivência. Sendo sociais sobrevivemos melhor. E até podemos saltar de ilusão em ilusão, umas vezes deliberadamente, outra sem querer, outras porque é uma impossibilidade psicológica evitá-lo.

Assim, fazemos isto nesta ilusão e aquilo na outra. E os livros contam isso. Quando acentamos, e se voltamos a pensar, vimos a merda que fizemos, ou percebemos a importância das pequenas coisas.

Se fosse possível parar as pessoas deste planeta e perguntar-lhes o que estão a fazer, haveríamos de ver as inúmeras possibilidades da história de todas no que cada uma contaria.

E os livros contam isso.

Anton Schimd, Good Samaritan 

Schmid wrote to his wife and daughter before his execution. Here he explained: ‘I have only acted as a human being’.

Will you follow orders or will you act as a human being?

Although the Jews whom he had saved and who were lucky enough to survive the Holocaust honoured Schmid and his family, the wider public first learned about his attempts to help and save Jews in 1961 during the Eichmann trial in Jerusalem. In her book about Eichmann in Jerusalem Hannah Arendt reports how witnesses referred to the saving action of Feldwebel Anton Schmid and that a complete silence of two minutes was observed in the court when Schmid’s deeds were recounted. She adds: ‘And in those two minutes which appeared to be like a sudden burst of light in the midst of impenetrable, unfathomable darkness, a single thought stood out clearly, irrefutably, beyond question – how utterly different everything would be today in this court room, in Israel, in Germany, in all of Europe, and perhaps in all countries of the world, if only more such stories could have been told.

Anton Schmid was executed on 13 April 1942 by a firing squad in a Vilnius prison.

Source: Trinity College Cambridge Sunday 20 October 2013
“Some Modern Saints? Anton Schmid (1900–42)”, Werner Jeanrond

more:http://www.auschwitz.dk/Schmid/Schmid.htm

Deixar uma gargalhada no mundo

Há quem faça da vida a bem querença de deixar um sorriso no mundo, um tempo em que a gargalhada e a festança, em que o outro é rei e a alegria rainha, e pelo menos existem nesse tempo de pouco mais do que hora e meia de felicidade. Pelo menos isso. Quando tudo o resto é guerra e desprezo há um, este, que nos deixa uns minuto ternos, humanos.

Slava’s show http://slavasnowshow.com/en/who-is-slava/

Jazzin – antena 2

Faz bem ouvir bom. E aqui é mesmo isso.

http://www.rtp.pt/play/direto/antena2jazzin

Nalgum momento somos assim

O funcionário cansado.

António Ramos Rosa

http://ensina.rtp.pt/artigo/o-funcionario-cansado-de-antonio-ramos-rosa/

essaoutra mão

Houve uma mão que segurou essaoutra mão, mais pequena, que segurava essaoutra mão maior. Se passeavam ou não, se iam ou vinham de casa, certo é que caminhavam juntos, à velocidade um do outro, com a alegria de quem fala de si para si. Se foi breve ou não, não se sabe, sabemos sim que naquele instante, uns minutos para trás outros para a frente, era de alegria que levavam, de estar juntos, de falar juntos, do que fizeram ou do que fariam. Não sabiam era que muito tempo depois estariam separados, mesmo que se falassem, mesmo que se escutassem, veio uma nódoa que não era de outrem, mas da responsabilidade de um e outro, e que os separou. Falou-se disso. Mas eles não. Entre eles só conversa fiada. Disse outro, com mais tempo na pele, que isso vai mesmo assim, igual a tantas outras mãos, aqui e noutros lugares, com estas e outras pessoas. Segue-se de felicidade em felicidade, passando pela infelicidade de não se segurar essa mão nunca mais, e não é porque esteja longe é só porque o amor desapareceu como areia entre os dedos. E que irás fazer? Deixa-me chorar, mesmo que nenhuma lágrima caia.

Franz E., dezembro 2016

Se pudesse parava

Temos que viver neste corpo
neste tempo

corpo que se mexe
sem eu querer
sem que o controle por inteiro

Volta e meia adoece
outras vezes respira de alegria
e outras ainda esvazia-se

move-se em silêncio
e quando te apercebes
perdeste um lugar
comeram-te o pão
roubaram-te o rebanho

não te iludas, não são sempre os outros que se atravessam,

de nada serve seres vitima, se o és de ti próprio,

e isso nunca o saberás.