27

Foi a 27, não a 31, vai sempre a tempo, em janeiro chora o mundo inteiro, ou devia, mas não, só alguns, poucos, muito poucos, mas que interessa chorar, se melhor é combater, levantar o rabo do banco e dizer que não é esse o caminho, ou então morrer dizendo, porque viver sem ter dito nada deve ser pior, muito pior.

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os outros e tu como anti-outro

E se vais lendo o que se vai dizendo, acertas num sítio que não esperavas. Não há alguém que guarde um gesto sincero, humano, sobre o outro que não conhece e que nunca o viu mais gordo? E fica certo, mais certo ainda com a idade que vais carregando, que não há nada que faças que não seja estúpido, palerma ou “farias melhor outra coisa qualquer”. Isso. Mesmo isso, mesmo que a tua intenção seja a suprema e sincera, por mais bem intencionado que sejas ou estejas.

Vem sempre o ou a que diz “esse filho da puta quer é tacho, protagonismo ou está metido numa tramóia qualquer, enganando uns e outros, tem é mania, ou melhor seria ficar quieto, para que quer ele fazer isso?” E vai ficando mais apertado quando isso se esconde em todas as conversas que não ouves. E se fizeres delas suposição, pior para ti, arremessaste para um sofá de onde só sais quando o corpo dorido se mandar para a cama.

Neste e noutro tempo, a inveja é o agoiro, a má língua é tão antiga que suporta até o desprezo, o escárnio e o mal dizer. E tu também o fazes, quando fazes de outro.

Ai, ai, vem de tão longe que serve de suporte ao desprezo pelo outro, e se bem vindo pela política vai dar em merda da valente. Não é que o anti-outro não exista,, desapareça, ou se vá de vez. Vai daí, segues essa mesma conclusão, o ser humano dança conforme a música política do momento, aqui é um ali, e tu és o outro, o que torna difícil de julgar quem quer que seja. Melhor, melhor é ouvires o que dizes, fazeres o que dizes e responderes ao que perguntas, o resto são as vozes ruído que não fazem de ti nem homem nem mulher, antes te fazem um desumano carunchoso e bafiento.

livres

“Quando perdemos o direito de ser diferentes perdemos o privilégio de ser livres” – Charles Evans Hughes, 1862-1948

O primeiro Holocausto

Durou vários anos, antes e depois da I Guerra Mundial, e matou quase 1,5 milhões de arménios. A prova podes buscá-la com as mãos. No monte de Margana, nas águas do Habur. As pessoas atadas, desnutridas, famintas, cansadas e nuas eram colocadas num monte acima do rio. Dava-se um tiro numa e o corpo inerte arrastava as outras.

“Quando afastei com os dedos a terra do outro lado da ravina, apareceu um esqueleto inteiro”. Isabell Ellsen, fotógrafa do The Independent, descobriu a prova terrível, passou a mão pela “terra castanha e ficou a olhar para um crânio.”

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freedom

Europe must learn, freedom needs to be defended

https://en.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Khodorkovsky800px-mikhail_khodorkovsky_in_kyiv

loucura

Qual é a tua? Em que loucura vives?

Quem és nessa loucura? Rei, senhor, guerreiro ou artista?

Qual é a justiça que vive nessa loucura? Só a tua, só a dos outros, ou a nossa?

A que distância fica essa loucura das outras? Aqui mesmo ao lado ou tão longe que nem sequer deveriam existir.

E o que farias às loucuras dos outros? Extreminá-las, ignorá-las ou visitá-las.

E nessa loucura, consegues esconder o agressor ou apetece exterminar?

Vai este planeta doente como vai quando não se ensina a cuidar da agressividade e não se aceita a loucura dos outros. De facto somos loucos, todos, sem excepção. Eu incluso.

 

Esquerda ou violência

Manifestação 15 Set 2012, Praça de Espanha, Lisboa, Portugal
credits by FranzE. 2012

A violência não tem futuro, só se o futuro estiver no horizonte de dez anos ou menos.

Para resolver o assunto em frente à assembleia, a polícia usou a violência porque esse é o modo imediato para resolver o problema. Não o resolve a longo prazo.

O problema que temos em mãos não se resolve atirando pedras a polícias. Eles, como nós, são cidadãos, vivem exatamente o mesmo problema que qualquer um de nós.
O que enfrentamos não se soluciona com violência porque o futuro de Portugal não é de curto-prazo. Obviamente que não se escorrega na ingenuidade. A violência é um dos caminhos possíveis, porque o desespero é real, sobretudo nos jovens onde o desemprego já ultrapassa os 35% em Portugal. E não vendo caminho, decidem-se pela violência.

Contudo, se recuarmos um pouco haveremos de encontrar soluções que abanem o dito “sistema” para que se encontre uma solução que seja partilhada, consensual, abrangente, transparente. De facto, caímos do outro lado, quando quisemos evitar o comunismo: uma ditadura do proletariado em que o individual desaparece. Tornámo-nos desumanos, centrados no próprio eu, egoístas e soberbamente desconfiados.

E se na minha opinião, é importante a ideia de solidariedade e tolerância, também o é a da humanização, bem como a da transparência, do individual e da confiança na pessoa. Portanto, parece-me que a coisa vai estar no equilíbrio entre o individual e o coletivo. Não sei em que ponto exatamente, mas que Portugal, a Europa serão conceitos muito diferentes no futuro a dez anos disso tenho a certeza.

Quanto menor violência tanto melhor, mas temo que se chegue a situação de guerra, porque o ódio e a raiva começam a criar raízes naqueles que desesperados, já nem prato têm.

Outro assunto que cruza este é a questão da sustentabilidade do atual modo de vida europeu/ocidental. A crise passa por ai também. E ainda pelo facto de, povos extremamente pobres estarem hoje com melhor nível de vida. Isso, significa que a Europa não pode continuar com este níveis de gastos energéticos e ambientais como até aqui. E suponho até que o limite de sustentabilidade tenha sido já ultrapassado e que o assunto seja já mundial e não ocidental.

A crise, com ou sem violência, servirá para que nos recentremos no que queremos, e naquilo que é importante. O que queremos? Que Europa queremos? O que é importante? A não ser que queiramos uma sociedade desumana, autocrática, intolerante, insustentável, desconfiada, como já aconteceu no passado. Provavelmente será por esse drama que teremos de entrar novamente antes de nos apercebermos do que necessitamos de fazer.

Sempre que um projeto se apresenta solidário, tolerante, humano, sustentável, num equilíbrio entre o coletivo e o individual, tenho tendência a dizer que sim. Ao contrário, tendo tendência a construir um tricheira.