Inferno

Isto é um inferno. É por isso, que de todas as maneiras e mais uma, cada um ao seu estilo, quer sair disto, seja com tecnologias ou com extremismos, reais, virtuais ou aumentados. Se isto não vai com equilíbrios e negociações, irá com intransigências radicais ou tecnológicas, mas, seja como for, intransigências. E se és contra. Di-lo. Não te fará mal. O outro não está aí para te resolver o problema. Há quem o faça mas não são todos, nem a todo o momento, alguns até são voluntários, mas quase todos te irão cobrar. Por isso, de que te vale lamuriar? A não ser que te queiras tornar num profissional da lamúria virtual ou aumentada. Podes criar uma app da lamúria, adicionas uns óculos que te tirem daqui mas para te lamuriares no mesmo sítio embora com o cérebro numa virtualidade. Já o fizemos com o carro. Levamos no mesmo dia para 600 km daqui. Como se aí tudo fosse melhor. Não é. Aliás, até é se não estiveres por aí mais do que uns dias. Depois passa a ser. Enquanto não estás vives numa virtualidade suportado pela pelo pouco tempo ai. Vês umas coisas diferentes. Chamam-lhe turismo outros dizem que são viajantes. Outros vão mesmo em passeio à procura de diferente. Este nosso cérebro gosta disso. Di diferente. De ver outras coisas, as mesmas mas cozinhadas e vestidas de modo diferente. É isso sabe bem. Não há melhor do que viajar. E trabalhar.

Andava convencido. E nestes dez anos desconvenci-me. Convencido que íamos todos no sentido de estarmos melhor uns com os outros, de partilharmos melhor e de negociar ainda melhor. Mas não. Não é assim. Se puder arrebanhar mais para mim e para os meus tanto melhor. Daí as regras, o direito, o dever, os regimentos e os regulamentos. Até os deveres para com este planeta é mais para os outros, são eles que não cumprem, não eu.

No fim do dia fica teres de sobreviver numa selva que tem de ser regulada a não ser que se queira uma guerra.

Dez 2017, Franz E.

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um ponto branco num quadro negro

se de negro se falar de maleita

se de negro se falar de desgraça

Vai o caminho  negro deste mundo

E já não era assim? Sim, mas não tão negro. Não tão fora da utopia de um lugar melhor, mais justo e tolerante. Essa ilusão que se carrega perde-se assim, não somos tão tolerantes assim: matamos um outro com mais facilidade do que se pensa e até a ditadura tem simpatias: danças conforme.

As ditaduras, que queimam tudo o que não vai no mesmo tom, querem dissolver a língua dos outros porque diferente, chamam-lhes bárbaros, queimam-lhes até a alma e são todos E somos todos, é isso que mais custa, depois da miséria do holocausto, de todos os eliminiacionismos, somos ditadores logo logo que se veja a oportunidade.

Então percebe-se porque um pintor rasga uma tela negra com um ponto branco

Depois de se sentar num banco, sozinho , em silêncio, farto do caminho  que levamos nas mãos, mais não pode, mas parado também não, vai daí desenha o que lhe parece justo, desenha para acordar pelo menos um desaparecido

Franz E., agosto 2017

mal

antes de nada

desde que acordas, e mesmo que durmas, enquanto durmas até, esse coração não pára,

e se acordas, não é para fazer mal, se por mal quiseres dizer, mal intencionado,

bem mal fazemos, às vezes sem saber, e outras só depois,

O que é mal? Tens de ser tu a dizê-lo, mas em voz alta, não vás esquecer ou nunca saber do que és feito, e assim sabemos, todos, se o rebatemos.

seja como for, há um dia em que não acordas,

nos outros

ai de ti se não te mexes,

nem que seja para fazer mal.

Franz E., junho 2017

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Não levo saudades

“Não levo saudades desta vida” – disse ele e escrevo eu.

“Não diga isso. Tem neta, filhos saudáveis, mulher dedicada, que mais quer?”

Aproximou-se tão perto, baixou a voz – “Estou aqui na vertical, nem sei como, não há canto do corpo que não me doa, nem mesmo a alma. Tenho setenta anos e trabalho 15 horas por dia. Atrás de um balcão, aturo má educação, nem vejo Sol. Estou cansado. Muito.” – encostou-se ao balcão atrás dele.

“O mais espantoso, no meio desta atrapalhada toda, funciona. Isto funciona, mesmo no meio do caos.” – Disse-lhe o outro e escrevo eu.

 

se vais a prémios

O Prémio Literário INCM/Eugénio Lisboa, a decorrer de 1 de fevereiro a 31 de Maio de 2017, irá distinguir obras inéditas de escritores moçambicanos. O júri do Prémio Literário INCM/Eugénio Lisboa é presidido pelo escritor Ungulani Ba Ka Khosa, que em 2007 conquistou o Prémio José Craveirinha com o livro Os Sobreviventes da Noite, sendo ainda composto […]

via Prémio Literário INCM/Eugénio Lisboa até 31 de maio — Escritores.online

27

Foi a 27, não a 31, vai sempre a tempo, em janeiro chora o mundo inteiro, ou devia, mas não, só alguns, poucos, muito poucos, mas que interessa chorar, se melhor é combater, levantar o rabo do banco e dizer que não é esse o caminho, ou então morrer dizendo, porque viver sem ter dito nada deve ser pior, muito pior.

http://www.yadvashem.org/