um ponto branco num quadro negro

se de negro se falar de maleita

se de negro se falar de desgraça

Vai o caminho  negro deste mundo

E já não era assim? Sim, mas não tão negro. Não tão fora da utopia de um lugar melhor, mais justo e tolerante. Essa ilusão que se carrega perde-se assim, não somos tão tolerantes assim: matamos um outro com mais facilidade do que se pensa e até a ditadura tem simpatias: danças conforme.

As ditaduras, que queimam tudo o que não vai no mesmo tom, querem dissolver a língua dos outros porque diferente, chamam-lhes bárbaros, queimam-lhes até a alma e são todos E somos todos, é isso que mais custa, depois da miséria do holocausto, de todos os eliminiacionismos, somos ditadores logo logo que se veja a oportunidade.

Então percebe-se porque um pintor rasga uma tela negra com um ponto branco

Depois de se sentar num banco, sozinho , em silêncio, farto do caminho  que levamos nas mãos, mais não pode, mas parado também não, vai daí desenha o que lhe parece justo, desenha para acordar pelo menos um desaparecido

Franz E., agosto 2017

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mal

antes de nada

desde que acordas, e mesmo que durmas, enquanto durmas até, esse coração não pára,

e se acordas, não é para fazer mal, se por mal quiseres dizer, mal intencionado,

bem mal fazemos, às vezes sem saber, e outras só depois,

O que é mal? Tens de ser tu a dizê-lo, mas em voz alta, não vás esquecer ou nunca saber do que és feito, e assim sabemos, todos, se o rebatemos.

seja como for, há um dia em que não acordas,

nos outros

ai de ti se não te mexes,

nem que seja para fazer mal.

Franz E., junho 2017

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Não levo saudades

“Não levo saudades desta vida” – disse ele e escrevo eu.

“Não diga isso. Tem neta, filhos saudáveis, mulher dedicada, que mais quer?”

Aproximou-se tão perto, baixou a voz – “Estou aqui na vertical, nem sei como, não há canto do corpo que não me doa, nem mesmo a alma. Tenho setenta anos e trabalho 15 horas por dia. Atrás de um balcão, aturo má educação, nem vejo Sol. Estou cansado. Muito.” – encostou-se ao balcão atrás dele.

“O mais espantoso, no meio desta atrapalhada toda, funciona. Isto funciona, mesmo no meio do caos.” – Disse-lhe o outro e escrevo eu.

 

se vais a prémios

O Prémio Literário INCM/Eugénio Lisboa, a decorrer de 1 de fevereiro a 31 de Maio de 2017, irá distinguir obras inéditas de escritores moçambicanos. O júri do Prémio Literário INCM/Eugénio Lisboa é presidido pelo escritor Ungulani Ba Ka Khosa, que em 2007 conquistou o Prémio José Craveirinha com o livro Os Sobreviventes da Noite, sendo ainda composto […]

via Prémio Literário INCM/Eugénio Lisboa até 31 de maio — Escritores.online

27

Foi a 27, não a 31, vai sempre a tempo, em janeiro chora o mundo inteiro, ou devia, mas não, só alguns, poucos, muito poucos, mas que interessa chorar, se melhor é combater, levantar o rabo do banco e dizer que não é esse o caminho, ou então morrer dizendo, porque viver sem ter dito nada deve ser pior, muito pior.

http://www.yadvashem.org/

Trump

acerca de Trump, embaixador Cutileiro refere o que foi dito pelos biógrafos: “só lhe interessa dinheiro, sexo, comida e vingança. A vingança é uma coisa fundamental para ele. Uma situação muito perigosa. Roça o desiquilibrio mental”

http://www.rtp.pt/programa/radio/p2311/e26102008