velocidade, pouca terra


se te perguntassem a diferença. a diferença nos quarentas anos. dirias, a velocidade? Eu sim. a velocidade, só por si é inevitável. e é ao mesmo tempo o que se sente mais. mas tão exagerada, tão exagerada, que tira o sumo a tudo isto a que se chama vida. e se ela pode ter sumo. falo da vida. tem sumo, muito. quem fica parado? Ninguém. mas a esta velocidade consumimos energia a uma razão tão exagerada, uma potência que já não supreende ninguém mas que nos deixa ansiosos por silêncio de tempos a tempos. e nesse silêncio vê-se o tempo que se gasta em ninharias desnecessárias. é como comer uma pêra nascida num pomar esquecido. mais pequena, menos vistosa, mas com um sumo, encorpada pela pouca velcoidade mas muita terra, muito cheiro e tempo para a acariciar, cheira e paladar. um paladar tal que cada dentada é um segredo que queremos guardar.

“levo duas horas daqui ali, eu levo três dias, se puder, mas quero sempre demorear mais tempo, sempre”, Franz E., nov 2016

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