caos


se estás com as balas à distância

como podes falar disso

se vives sem os escombros na pele

como podes falar disso

e se por lá estivesses

se por lá vivesses

como falarias então

que mais acrescentarias

voariam mais pedras,

gemeriam mais ainda

cairiam do céu, pernas, braços e almas

haveria mais corpos para transportar

mais restos para abandonar

e o que transportariam senão corpos, por vezes nús, bem certo

e os lamentos, as melodias, quais seriam, haveria?

não sabemos que significa guerra, não nos diz nada, não ilumina nada,não se pensa em nada, só suposições que vêem de longe de muito longe, não tem significado, não te causa vertigens, daquelas que surgem automáticas, já lá estive, nem te quebra o corpo, nem te vaza a vista, nem te vaza a vista, nem sentes a faca afiada a cortar a pele, e depois a carne, e depois o pulmão e por fim o coração, o cheiro a carne pobre, a sangue morto. Sabes o que é a guerra, não sabes, alguns de nós pelos menos, o que significa.

Há quem saiba o que significa a guerra. Têm cabelos brancos e estão esquecidos neste país. às vezes ouvem-se, mas não se escutam.

sei só de paz e que de paz estão sempre à procura como pão seco de água precisa, toda a gente deste planeta

Franz E., novembro 2016

a propósito do espetáculo da Olga Roriz, Antes que matem os elefantes

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