cidade


Aliás, comparava toda esta investidura que vivera até agora com a vida de uma cidade; os longos corredores por onde fogem os-outros em fuga acossada, os longos automóveis que se engolem uns aos outros numa louca correria, lembra a fuga do casamento, aos gritos estridentes do som abafado das injúrias furibundas fugidias dos objectos rigorosamente estranhos de um casamento que se ausenta sem nunca desaparecer por completo.

Fugas entrecruzadas por cruzamentos sem decisão, sentas-te, empurram-te em frente, rumo a outro, e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro a outro e outro e outro e outro

loucos rumos de encontros uns aos outros

para nos voltarmos a encontrar num outro cruzamento semelhante. Queremos sair. Saímos. Voltamos atrás, sempre ao mesmo ponto, repetindo a mesma merda, como se a cidade se alongasse até tão longe para voltar a entrar pela mesma avenida, agora do lado contrário, passando pelos mesmos buracos e acidentes, pelo mesmo barulho e estridências. Há um lugar fora. Ficas dentro. Aqui e ali segredamos o olhar aos outros que passam – “Dizes-me por onde vou? Dizes-me como?” – Não sabem nem podem ajudar. Em terra teria o sabor e o cheiro fresco, saberia o caminho, na cidade a vida resume-se a um acumular de sujidade nestas ruas todas iguais onde não se decide. Sempre a chocar com o tempo, o cérebro enlouquece, a publicidade embrutece, em vez de plantas nascem insatisfações, umas atrás das outras. Nada acomoda o corpo enquanto se escorrega num monte de caixões quentes de outros abandonados, desconhecidos da mesma guerra, com nome e sem ele, só com ser dentro! Rapidamente rápido rápido quero o corpo em frente a um televisor rodeado de imagens esquecidas da terra que já fomos, está longe tão longe, estamos tão longe da Terra, que dá vertigens. Este tempo que escutamos tem a mesma miséria do tédio, corremos em avenidas intermináveis, umas iguais às outras, onde se sobrevive de cara esquecida pelo corpo que se rompe pouco a pouco.

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