mulher


Entre mulher e homem, a vida cruza-se numa mescla inevitável de partilha, se há empatia, fervilham em candura e formosura mas por pouco tempo, bem certo, ou por períodos reduzidos, claro. São muito diferentes. Ela é perfeita. Ele quer mandar. Ela quer tudo no sítio enquanto não se apercebe do que a vida lhe trás, sempre informada, sabe o que é beleza sedutora, encanta-lhe a ribalta e o poder. Para alguns homens ela é por si a arte. Para outros uma máquina sexual. Para outros um fardo. Para outros um escravo.

A alguns homens fica-lhe o sonho de representar a beleza, algumas delas também vão por ai, na maior parte das vezes esbarram na impossibilidade… Não há mulher que consiga escapar ao olhar de um homem. Chega mesmo a ser uma coisa perversa. Seja de soslaio ou num flash repentino, um pequeno gesto, um movimento simples redescobre a mulher em cada mulher, fica-lhe a intenção, na maior parte dos casos, de lhe falar, uma palavra poética à voluptuosidade dos contornos, das sombras e das cores que atravessam, mas a realidade física não é assim, não se invade a privacidade de alguém sem pedir permissão. É sempre uma falta- A não ser que se completasse a conversa com uma conversa maior no café. Somos mais sós do que pensamos. Já a falta poderia ser coisa bem má, seja se a pessoa está carente e tu apenas queres conversa, seja se a pessoa não está para a ai virada e vais incomodar sem direito a isso. No caso delas, preferem recolher informação, conhecer tantos homens quanto possível, ou conversar apenas, a primeira para escolher um, a segunda para sair da rotina. Em qualquer dos casos, a probabilidade é a de cair na falta maior, ou seja, importar sem direito a isso. Na maior parte dos casos afastam-se deixando o perfume, afagando o lugar com aroma, com o andar e o cabelo, as curvas e o facto de ter sido apreciada. Ao princípio pensava assim, era sempre demasiado distante para ultrapassar a minha insegurança. Pois insegurança é coisa que mulher não aprecia, bem como a falta de firmeza ou conforto… Fica no tempo, na história do que não interessa, este breve não-encontro, uma coincidência que não foi encontro, guardado num lugar inacessível da memória que se extingue, como um mistério: jamais se recordará isso.

O Fraco, 6ªparte

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