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– “Aquele pobre coitado?! Ouvi que está doente… e desde há alguns meses que não aparece.” – Está sobranceiro à morte, dizes entre palavras. O silêncio cavado irrompeu, deve ser a única coisa que faz sentido, pelo menos para estes dois que conversam. Mas há quem fale disso, da morte, com o mesmo à vontade que fala da vida sem deixar irromper o silencio desta maneira. Neste caso, até a mim me pareceu absurdo, não só o interesse por um desconhecido como ficar calado ao falar disso, da morte. Num desvio, pedi-lhe um café e alguma coisa para comer, aceitou a ordem, automático, o absurdo do silencio transformou-se no trabalho e ficou ausente aquele homem, niguém sabe ao certo o que lhe passou, nem parece que queiramos sabê-lo, ligados a uma rotina mecanizada e sobrevivente, e que recomeçava agora, no momento em que deixamos de ser humanos: para que queria ele saber de outro coitado como ele, como eu… que raio de pergunta era a minha, uma pedrada num charco de dias e dias de trabalho…

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