quem somos?


quem são estes? se somos nós. Quem somos nós? se somos eu. quem sou eu? estas caras querem sair da foto. tu queres entrar nela. dizer “olá”. gostava de ouvir isso. saber em que dia foi tirada. e porque se deixaram fotografar. de que falaram antes e depois. saber ao que vão. para onde. são estes os meus. e sei isto. e aquilo. e faço. sou capaz disto e daquilo e não corro para lado nenhum. desprezo isto. gosto daquilo. sei da minha miséria. sei das injustiças que me vergam. só não sei da merda que ainda vou fazer. podia ser diferente. mas não me arrastes para fora deste tormento. não conheço outro. não me toques. que não vou. e só irei se me empurrarem. se me apontarem uma pistola à pele. faço-o pelos filhos.

de dentro da ingenuidade salpicos de esperança. seria possível ao menos eregir-se uma estátua à pessoa desconhecida, àquelas que enchem as ruas. as casas. as terras. as aldeias. as cidades. correndo. escavando o alcatrão em busca de uma moeda. a seguir ou antes disso. poderia a política terrestre incluir a voz das pessoas desconhecidas? Sim. é possível. alguns têm a vontade de soltar esses tormentos que afogam a mente e fazem-no. mais ou menos ruidosos. fazem-no. com mais ou memos publicidade. fazem-no. com mais ou menos persistência. fazem-no.

Sebastião Salgado, Bihar, Índia, 1989
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