afeto


no passado também havia políticos corruptos, roubos, falta de respeito, assassínios, estrelas viciadas e má educação. Hoje, o mesmo, mas bem mais visível: as audiências constroem-se com isso e os jornais vendem por causa disso. É um negócio. O afeto não existe.

A marginalidade, essa tem referências, tem valores, tem cultura e hábitos endémicos: por exemplo, um rapaz que não dorme em casa se não entregar 50 euros ao pai. Uma criança com 13 anos que tem de cuidar dos irmãos porque a mãe sai à segunda e volta na sexta. Casas em que ninguém sabe a que horas se come e quem come, e quem faz a comida. Casas em que o jantar é acompanhado pela televisão. Casas em que o silêncio invadiu a família, apenas se ouve o tilintar dos talheres e o som mudo das notícias, invariavelmente as mesmas. E aqui o afeto não dorme.

Bem certo é, que os valores e a ideia de uma sociedade justa são utopias, e são diversas. Eu, ele, o outro, temos justiças, ideias de justiça. Caminhamos para lá mas só a concretizamos numa percentagem. Bem certo é, que uma família disfuncional não é uma família. Bem certo é que, sem uma família, sem amigos, sem afetos, a coisa não vai: é um oceano seco, é uma solidão desenfreada, é insuportável. Que falta faz o afeto!

E é aqui que ASSUSTA. Ver ouvir escutar, uma família inteira separada, em discussão permanente e uma pessoa só. Um só é por si mesmo, na maior parte dos casos, o responsável por essa solidão. E de facto somos sós, mais do que pensamos. Mas esse é um facto por sermos humanos. O outro é um facto do nosso tempo. A família encortou, desmembrou-se. E se é possível encontrar um confindente, ou uma confindente, não é fácil: aquela confiança inabalável não se encontra por ai, não tropeçamos nela: demora anos e anos a consegui-la.

Uns fogem a esse cerco com a fé, outros com o trabalho, outros com o álcool, outros ficam-se, passivos, até que alguém os encontre, 2, 5, 8 anos depois, vazios numa cama, ou enrolados no chão.

Isto ASSUSTA. A crescente falta de afeto, a crescente falta de solidariedade, a crescente ausência de humano: na justiça, na educação, na escola, na política, na saúde. E isso acontece porquê? Será a crise, ou és tu que não te mexes?

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