eu


Eu não avançaria mais do que “eu sou”. Porque assim já falamos de todos. Dizemos eu da mesma maneira. Eu. Sejas um valente sacana, ou um generoso crónico, um vendedor da banha da cobra ou um poeta, homem ou mulher, magro, gordo ou assim assim. Pensamos eu da mesma maneira. Eu sou tu. Quase que se toca o conceito de deus, mas só se fica pelo facto: eu é a mesma palavra para todos, que só tu dizes para ti mas que todos dizem para si. “Eu” que te diz quem és, mas “Eu” esconde-se na boca dos outros: quem são esses outros eu’s?  Sobrevivem como tu. Anseiam, ambicionam como tu. São exactamente como tu. São “Eu” como tu. “Eu” também te diz que estás mais só do que parece. Morrerás sozinho. Viverás sozinho. E se fores suficientemente grande talvez consigas compreender o outro “Eu”, perscrutar-lhe a alma e dedicar-lhe algum tempo, dar-lhe um abraço e talvez o ombro. E se fores mesmo grande, talvez chegues a dar-lhe abrigo quando souberes que a mão lhe escorrega, colina abaixo.

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