partir


estou aqui e vou partir,
tenho essa certeza,
daqui a pouco já não estarei aqui,
mas o lugar, esse fica,
mesmo sem mim, fica,
e ficará, e se um dia calhar em passares aqui,
o lugar estará,
mas tu segues,
sendo esse o único e último momento,
sem tréguas, o tempo segue-te,
marcando os últimos instantes,
não regressarás ali, é como se morresses todos os instantes.

essa diferença marcada pelo cérebro
só se distingue se lhe atribuirmos um tempo,
um para cada momento,
dois momentos diferentes.

Parece que precisamos do tempo para inventarmos a vida:
outros aqui estiveram,
outros estarão, no mesmo lugar,

aceitar o tempo
que pouco ou nada vale,
mas distingue,
entre vida e morte
entre riqueza e pobreza

o que vivemos pouco ou nada vale,
é verdade, a nada, nem a ninguém interessa a vida,
pouco ou nada gira em torno de nós,
e só as emoções fazem da vida valer ser vivida, nada mais,
para além disso, somos massas de carne a cambalear rua fora.

Neste preciso momento, numa rua chinesa por onde irás passar,
já correm pernas para o trabalho,
já se ouvem portas a ranger,
e um dia tu estarás lá,
ouvirás um desses inúmeros ruídos,
que se ouvem ali todos os dias,
e que tu ouvirás num dia apenas, num instante da tua vida
quando decidires visitar essa rua,
será só uma vez de todas as vezes que naquela rua se ouve abrir essa mesma porta,
será a tua única e última vez. Morreste para ali.

Não fora a emoção de viver e amanhã não acordarias.

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