
fonte: http://expresso.sapo.pt/as-bombas-de-guernica=f721328

a vida tem uma ligeira insatisfação. E depois vamos visitando os nomes que vivem no imaginário da escrita, da nobreza intelectual e pedante, para descobrir que a nossa é a vida deles e que a deles a nossa. Sem mais nem menos.
Bem verdade. Roubei. Não preciso mentir sobre isso. Não quero. Foi o que decidi. Se tens fome, rouba, pensei. Se não podes, rouba. Que mal tem? No fim do mês vais juntando. E quando o tiveres todo, então pagas. Até já trabalhas. Ao fim de algum tempo terás o suficiente para saldar.
Também não era de fome que padecia. Dirão vocês que não tenho argumentos para o efeito. Pois, não conhecem a minha história. Já esbanjei dinheiro. Já tive família. Já conheci a fama. Já vi o inferno também. Sou já homem para compreender o significado da lei e da honra, da dignidade e da realidade.
Se não era fome, então para quê roubar? Ela queria uma mala. Escolhi a mais barata, a que estava mais a jeito de levar. Não podia, de modo nenhum, deixar de oferecer uma mala, a quem me acolhera com o coração, sem perguntar de onde vinha, ou quem era, ou ao que vinha. Não suportava a tristeza de quem se sentara comigo nas escadas, ouvindo e falando, enquanto a avó me trazia pão e sopa. Não suportava ver triste quem me dera uma vida por inteiro.
Como não podia? Mesmo que isso fosse deitar a honra e a dignidade porta fora. Como não podia sacrificar-me por isso? Ir a casa e vê-la com os olhos adormecidos: os livros aconchegados aos cadernos, as canetas e a lapiseira, tudo numa sacola cozida à mão, em cima do banco, na cozinha, tudo pronto à espera do dia.
Que mal faz isso, levar uma sacola no primeiro dia? Eu sei disso, ela nem esperava outra coisa, aceitara-o com o mesmo coração que me sorrira. Mesmo assim decidi roubar. Ou melhor, roubar para pagar depois.
Nesse mesmo momento, em que amarfanhei o plástico que envolvia a sacola com os meus próprios dedos, sabia que entraria ali para pagar. Mas ela começava a escola no dia seguinte, deixei que os dias se esgotassem, para me empurrar a fazê-lo. A vergonha encheu-me, os olhares dos outros invadiam-me. Num soslaio comprometedor, ao mesmo tempo que apertava a sacola debaixo do braço, fixei um homem que descia a rua. Trocámos olhares, pareceu perceber o que se passava. Encolhi-me em mim, e segui esquecendo que marchava a passo largo, rua abaixo. Virei uma esquina, e outra, e outra, outra ainda, e parei ofegante, ergui o braço e, para espanto meu, lá estava a mala, envolta num plástico poeirento, esmagada pela minha mão.
Espreitei atrás da esquina e não vi ninguém. Ou ando agora a ser perseguido, ou ele fingiu que não viu. Continuei arquejante ao mesmo tempo que a felicidade me alagava. Poderia agora retribuir a alguém que não me pedira nada em troca.
Larguemos as saias do estado e, ao votar, votemos em quem defenda a transparência e a responsabilização do estado e dos políticos. Se ninguém o defende, que se organize esse partido. Eu votarei nele.
Isso! Afinal o que é importante? Haverá tempo, para cada um, parar e pensar no assunto.
Estamos tão longe do que a “terra nos dá”, no meio do ordenado e das acções, créditos e compras de valores “contaminados”, que me pergunto, afinal, vivemos uma irrealidade? E é isso que nos traz crise!
E outras vezes viro-me para outra geometria: onde está o humano, a generosidade, a ajuda, a cooperação?
Que se saiba que o planeta não são os telejornais! Que se saiba, que ao partirmos, ao viajar, encontramos mais de generosidade e humano, do que de ganância e competição. Isso é verdade.
E o que vamos fazer com as utopias, as do zeca e do ghandi? Lavamo-las em eufemismo ou pactuamos com o que os países fazem uns aos outros: roubar e competir. Ou isso não é nada assim, e o melhor é mesmo roubar e competir! Ou será que a resposta é este equilibrio precário, que, de vez em vez, nos sacode com uma “crise” violenta.
…então vivemos em eufemismo, tão envergonhado, que ninguém diz o que se passa por inteiro, mas aos bocejos. E só mesmo depois de a água nos ultrapassar os joelhos, lá vem alguém dizer: é a crise pá!
Quando se dizia, o país está de tanga, somos os melhores alunos da europa, ou mesmo, isto é o paraíso. Resta saber onde acaba o eufemismo e começa a nossa carteira, onde acaba a ganância e começamos a viver com a realidade, onde acabo eu e começa o outro, e se eu maior sou o outro pior fica.
um filme muito simples, sem mostrar mais do que é, numa história simples. Não é muito bom, mas é bem melhor que muitos que para ai se põem em bicos de pés e no fim são tretas. Uma minúscula parte da vida de todos nós. Altruísmo e amizade. A vida não se faz apenas de miséria e egoísmo.
all in one movie. At same distance it may be silly, but if you dig, you found yourself, your life, your world.